janeiro 26, 2012

Desejo da manhã

Hoje apetece-me ouvir a tua voz à minha frente,
fazer-me de surdo para o resto.
Ver-te ser diante de mim, pertenceres ao meu espaço,
tocares-me na alma com os dedos, fazermos um dia diferente, sorrir..
É um desejo que surgiu assim, peculiar, temperamental
como por vezes se sente a necessidade do Sol.
Já nasceu o dia.. vou lá para fora.

Publicado por OlharCinzento às 10:57 AM | Comentários (0)

janeiro 18, 2012

Suspiro meu

Procuro à noite a luz no interior das tuas mãos em concha.
No segredo que sabemos existir entre nós, o calor desse conforto.
Desejar que me leves nas tuas garras qual pássaro, para lá da lua
onde por fim vemos o nascer de um novo dia só para dois.
Tento não pensar no pouco que tenho que me vai servindo de conforto
como um casaco velho que me deixou de servir.
Começar tudo de novo vezes sem conta como se não soubesse contar.
Colocar a derradeira brasa para que o fogo não se extinga.
Agarro-me às paredes, distraio-me com restos diluídos da paixão,
sinto na ponta dos dedos sensações estranhas, a falta de algo que toque e se contraia.
Faltam-me palavras que descrevam este esforço de ossos
de carne, de mente, de esperança irracional e inútil..
Por fim espero sem querer pela realidade que me desilude,
como se tivesse sido apanhado no meio de uma teia.
Só gostaria que este segredo se derramasse para fora de mim
tornando-nos em segredo de ninguém..
Uma gota que por fim encontre o seu mar e viva na crista das ondas.

Publicado por OlharCinzento às 10:52 PM | Comentários (0)

janeiro 11, 2012

Cinzas

Fez neste dia uma semana que nos despedimos,
esta primeira semana que espero ter sido a pior das que ainda estão para vir..
E só apenas continuar assim com a vida por nao saber o que mais fazer, respirando.
A falta de ti como se houvesse ficado surdo ou tivesse sido assaltado e perdido qualquer outro dos cinco sentidos.
A alma a latejar de dor silenciosa.
Assisto a mim próprio de fora, a ver o que estou a fazer por não suportar no corpo o que é demasiado.
Um relâmpago que divide uma árvore ao meio.
Queria ser a minha sombra para desaparecer por completo com o sol do meio dia que me viesse buscar..
Na noite, uma estrela cadente a desvanecer-se em pó, cansada de rasgar incandescente a bruma, da sua passagem restando o nada.
Se eu fosse um animal seria um peixe que por descuido ou acaso do destino houvera saltado sem querer para terra.
A sede de te falar como se o mundo das pessoas me fosse um deserto infinito e impiedoso onde procuro em vão água.
Às vezes, sem controlo irrompe de dentro de mim um choro convulso que depois pára de repente, como se necessitasse de o fazer aos poucos porque senão seria muito.
Apanho o comboio e saio no fim sem perceber que parou em todas as estações, tornando longa cada viagem deste modo.. possuí-me de melancolia o que se tornou monotonia.
Apetece-me subir a um farol e ficar lá no cimo a ver o mar até ao cair da noite, esperar como que por artes mágicas espalhar-me no nevoeiro.
Alugar um quarto por não mais suportar na solidão o meu, desejar adormecer quando a memória em mim por fim se esvazia..
Ainda acontece de noite no limbo do sono, múrmurar o começo do teu nome como um resquício de vício que teima em me largar.
Estilhaça o silêncio da noite palavras que não sei de onde veêm ou o que querem dizer.
Só sei que isto é muito. É demasiado. É tanto.
E agora louco já não sei escrever mais nada.

Publicado por OlharCinzento às 09:53 PM | Comentários (0)